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Petróleo recua após expectativa de negociações entre países do Golfo e Irã

Possibilidade de conversas para facilitar o trânsito pelo Estreito de Ormuz reduz parte da pressão sobre os preços da commodity e contribui para a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos

Petróleo recua após expectativa de negociações entre países do Golfo e Irã
Petróleo opera em baixa após possível reunião sobre Ormuz — Foto: Bloomberg

Por Prime Rádio - Os preços do petróleo operaram em queda nesta sexta-feira (11), em meio a sinais de que países do Golfo podem participar de negociações com o Irã para buscar uma solução temporária para o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz. A perspectiva de redução das dificuldades no transporte de petróleo contribuiu para diminuir parte do prêmio de risco incorporado à commodity nos últimos dias.



Segundo informações divulgadas pela Reuters, os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a recuar mais de 3% durante a sessão, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também apresentou queda superior a 3%. Apesar do movimento negativo do dia, os dois referenciais permaneciam a caminho de uma valorização superior a 8% na semana, diante das preocupações com possíveis interrupções no fornecimento provocadas pela escalada das tensões no Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas para o transporte internacional de petróleo e derivados. A possibilidade de negociações envolvendo países do Golfo e o Irã, portanto, foi interpretada pelos mercados como um possível fator de alívio para os riscos de abastecimento.

A queda do petróleo também repercutiu no mercado de títulos públicos americanos. Os rendimentos dos Treasuries, que haviam avançado fortemente na sessão anterior, recuaram nesta sexta-feira. O rendimento do título de 10 anos caiu para aproximadamente 4,92%, enquanto o de 30 anos ficou em torno de 5,32%, depois de ter alcançado na véspera o maior nível desde 2007, segundo o Financial Times.

A relação entre petróleo e juros ganhou importância diante do impacto da energia sobre a inflação. A alta expressiva do petróleo aumenta os custos de combustíveis e de outros produtos, podendo dificultar a tarefa dos bancos centrais de controlar a inflação. Por outro lado, uma eventual redução das tensões e dos preços da commodity pode diminuir parte dessa pressão.
Nos Estados Unidos, os dados de inflação divulgados nesta semana também permanecem no centro das atenções dos investidores. A inflação ao consumidor registrou alta anual de 3,4% em agosto, enquanto os preços da gasolina tiveram avanço mensal significativo. O cenário aumentou as expectativas de que o Federal Reserve mantenha uma postura mais restritiva em relação aos juros.
Apesar do recuo registrado nesta sexta-feira, o mercado de petróleo continua sujeito a forte volatilidade. A situação no Oriente Médio, as condições de transporte pelo Estreito de Ormuz e eventuais avanços diplomáticos podem continuar influenciando diretamente as cotações.


Categoria: Economia e Mercados