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Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam afastamento de Mário Frias para conter desgaste na campanha

Núcleo próximo ao candidato considera que deputado deve responder individualmente por eventuais irregularidades investigadas pela Polícia Federal; grupo ligado a Eduardo Bolsonaro sinaliza defesa de Frias

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam afastamento de Mário Frias para conter desgaste na campanha
Mário Frias — Foto: Divulgação

Por Prime Rádio - Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, avaliam isolar politicamente o deputado federal Mário Frias (PL-SP) diante do impacto provocado pela investigação da Polícia Federal envolvendo a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia, segundo relatos divulgados nesta quinta-feira (10), seria evitar que as suspeitas envolvendo Frias ampliem o desgaste sobre a campanha presidencial.




Frias é um dos alvos da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo as informações divulgadas, integrantes do entorno de Flávio Bolsonaro avaliam que eventuais irregularidades atribuídas a Frias devem ser tratadas como responsabilidade individual do deputado, sem associação direta com a campanha presidencial. A avaliação ocorre em meio à repercussão das suspeitas relacionadas ao financiamento de Dark Horse e às relações financeiras envolvendo pessoas ligadas à produção.


Frias foi produtor-executivo e roteirista do filme e participou da articulação para viabilizar a produção. A Polícia Federal investiga se recursos de emendas parlamentares destinados a organizações ligadas à produtora do longa foram posteriormente utilizados de maneira irregular. Uma das linhas de investigação envolve cerca de R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).


A PF também apura movimentações financeiras relacionadas à produtora GoUp Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, que igualmente é alvo da operação. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram transferências de R$ 645,4 mil feitas por Frias à produtora em período inferior a dois meses. Os investigadores consideram que as movimentações precisam ser esclarecidas no contexto da apuração.


Frias nega as acusações. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o deputado afirmou anteriormente que as denúncias envolvendo as emendas são falsas e difamatórias e sustentou que os recursos destinados por ele não foram utilizados para financiar o filme.


A situação também expôs diferentes posicionamentos dentro do grupo político ligado à família Bolsonaro. Enquanto aliados de Flávio avaliam reduzir a associação entre o candidato e o deputado, integrantes da ala próxima a Eduardo Bolsonaro indicam disposição para defender Frias diante das acusações.


A proximidade entre Frias e os filhos de Jair Bolsonaro decorre, entre outros fatores, de sua atuação na produção de Dark Horse. O deputado trabalhou na elaboração do roteiro e na produção executiva do longa e participou, ao lado de Eduardo e Flávio Bolsonaro, da captação de recursos para o projeto.


Outro ponto sob investigação é a participação do empresário Daniel Vorcaro no financiamento do filme. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal apura repasses milionários relacionados à produção. Frias inicialmente negou que o então proprietário do Banco Master tivesse financiado o filme diretamente, mas posteriormente reconheceu a existência de uma relação jurídica indireta envolvendo empresas relacionadas ao projeto.


Flávio Bolsonaro, por sua vez, criticou a operação e acusou o ministro Flávio Dino de interferência política. O senador negou irregularidades e afirmou que os recursos relacionados ao filme eram privados.


A investigação ainda está em andamento e não representa, por si só, conclusão de que os envolvidos tenham cometido os crimes investigados. As suspeitas deverão ser apuradas pelas autoridades responsáveis, com direito de defesa aos investigados.


O episódio ocorre durante a disputa eleitoral e coloca a campanha de Flávio Bolsonaro diante da necessidade de administrar politicamente as consequências da investigação sem que as suspeitas envolvendo integrantes de seu grupo de aliados sejam automaticamente atribuídas ao candidato.


Fontes consultadas: UOL, com informações sobre a Operação Make Up e a participação de Mário Frias na produção de Dark Horse; Folha de S.Paulo, com informações sobre a decisão do STF e a investigação envolvendo o deputado.