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Opositor israelense acusa Sara Netanyahu de difundir teoria da conspiração sobre ataque de 7 de outubro

Yair Golan, líder do partido Democratas e ex-vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, anunciou medidas legais após declarações da esposa de Benjamin Netanyahu sugerirem, sem apresentar provas, que ele sabia antecipadamente do ataque do Hamas

Opositor israelense acusa Sara Netanyahu de difundir teoria da conspiração sobre ataque de 7 de outubro
Esposa do premier israelense, Benjamin Netanyahu, Sara é denunciada por difundir teoria da conspiração sobre 7 de outubro — Foto: Menahem Kahana/AFP

Por Prime Rádio - O líder do partido israelense Democratas, Yair Golan, acusou Sara Netanyahu, esposa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de difamação após declarações feitas por ela sugerirem que o político e ex-militar teria conhecimento prévio do ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.




A declaração foi feita durante uma entrevista concedida por Sara Netanyahu ao Canal 14, emissora israelense alinhada ao governo. Segundo veículos israelenses, ela questionou como Golan, então oficial militar de alta patente, conseguiu chegar rapidamente ao sul de Israel na manhã do ataque e participar do resgate de pessoas no local do massacre do festival Nova. Não foram apresentadas evidências de que Golan tivesse sido informado antecipadamente sobre a ofensiva.


Golan, que ocupou o cargo de vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), afirmou que as declarações ultrapassavam os limites do debate político. Seu partido classificou as acusações como difamatórias, enquanto o próprio Golan anunciou que buscaria reparação judicial.


De acordo com o Times of Israel e o Jerusalem Post, Golan enviou uma notificação jurídica a Sara Netanyahu exigindo uma retratação pública e um pedido de desculpas. A medida mencionava uma possível ação por difamação no valor de 2,5 milhões de shekels, além de um pedido para que ela fizesse uma doação aos sobreviventes do festival Nova.


A controvérsia ganhou dimensão política em um momento de forte tensão em Israel, às vésperas das eleições parlamentares previstas para 27 de outubro de 2026. Golan é uma das principais figuras da oposição de esquerda ao governo Netanyahu.


A acusação também provocou preocupação em relação à segurança do próprio Golan. Segundo o jornal francês Le Monde, pessoas próximas ao líder político relataram um aumento significativo nas ameaças de morte contra ele depois que as declarações de Sara Netanyahu passaram a circular. O episódio ocorre em um ambiente político israelense marcado por crescente polarização.


Golan esteve entre os militares e civis que se dirigiram para a região atacada em 7 de outubro de 2023. Na ocasião, ele deixou sua residência, vestiu o uniforme e foi para a região do festival Nova, onde participou de operações de resgate. O episódio posteriormente ganhou destaque na imprensa israelense.


A discussão sobre quem sabia o quê antes do ataque voltou a ganhar força em Israel nos últimos dias por outro motivo. Uma investigação publicada pelo Haaretz afirma que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria recebido, cerca de dez dias antes do ataque, um alerta do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, sobre uma grande operação que estaria sendo planejada pelo Hamas.


Netanyahu nega ter recebido o alerta ou ter conversado com o presidente emiradense naquele período. O gabinete do primeiro-ministro classificou a informação como falsa. A controvérsia levou integrantes da oposição, incluindo Golan, a renovar as críticas à condução do governo antes do ataque de 7 de outubro.


As duas controvérsias, entretanto, envolvem alegações diferentes. A reportagem sobre Netanyahu trata de uma suposta advertência recebida antes do ataque, enquanto as declarações de Sara Netanyahu dizem respeito à alegação, não comprovada, de que Golan teria tido conhecimento antecipado da ofensiva. Até o momento, não foram apresentadas evidências públicas que sustentem a acusação contra o líder dos Democratas.


O episódio ocorre enquanto Israel se aproxima de uma eleição marcada por intenso debate sobre as responsabilidades políticas e de segurança relacionadas ao ataque de 2023. A ofensiva do Hamas matou cerca de 1.200 pessoas em Israel e levou 251 pessoas como reféns para a Faixa de Gaza, segundo dados amplamente registrados por organizações e veículos internacionais.


Fontes: The Times of Israel, The Jerusalem Post, Associated Press (AP) e Le Monde.