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Senador do PT pede suspensão de redes de bolsonarista que disse “quem não vota em ladrão vota em mim”

Humberto Costa teria acionado a Justiça contra o vereador recifense Thiago Medina, pré-candidato a deputado federal pelo PL; parlamentar afirma que tentativa busca retirar seu perfil das redes sociais

Senador do PT pede suspensão de redes de bolsonarista que disse “quem não vota em ladrão vota em mim”
O senador Humberto Costa (PT-PE) — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Por Prime Rádio - O senador Humberto Costa (PT-PE) teria pedido a suspensão das redes sociais do vereador do Recife Thiago Medina (PL), após o político de direita publicar conteúdo de campanha com a frase “Se você não vota em ladrão, vota em mim”. Medina é pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026.



A informação sobre a iniciativa foi divulgada pelo próprio vereador em suas redes sociais. Em publicação recente, Medina afirmou que “Humberto Costa quer derrubar o meu perfil” e orientou seus seguidores a acompanharem uma conta reserva. O conteúdo também aparece associado a uma publicação anterior em que o vereador utiliza a frase “Se você não vota em ladrão, vota 2288”, referência ao número eleitoral que pretende utilizar na disputa.

Até o momento, as fontes públicas localizadas não permitem afirmar que tenha havido uma decisão judicial determinando a retirada definitiva do perfil de Medina do ar. O que está documentado é a manifestação pública do vereador sobre uma iniciativa atribuída ao senador petista.

Disputa entre os dois políticos

O episódio ocorre em meio à disputa eleitoral em Pernambuco. Humberto Costa busca a reeleição ao Senado, enquanto Thiago Medina pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL.

Medina, de 22 anos, foi eleito vereador do Recife em 2024 com 10.540 votos e se tornou uma das apostas do PL para ampliar a presença de jovens ligados à direita na Câmara dos Deputados. Em janeiro, o portal Jamildo.com informou que o partido via o vereador como uma alternativa para ocupar o espaço deixado por antigos nomes de grande votação da legenda.

O perfil institucional da Câmara Municipal do Recife identifica Medina como integrante do Partido Liberal e descreve sua atuação como ligada ao campo conservador.

Frase faz parte da estratégia eleitoral de Medina

A frase que motivou a nova disputa já vem sendo utilizada pelo vereador em suas redes sociais. Em uma publicação localizada no Facebook, Medina aparece em vídeo afirmando: “Se você não vota em ladrão, vota 2288”. O conteúdo associa diretamente a escolha eleitoral do candidato a uma crítica aos políticos que, segundo sua avaliação, seriam “ladrões”.

A declaração ocorre em um cenário de forte polarização política e de aumento das disputas judiciais envolvendo conteúdos publicados na internet durante o período eleitoral.

Em maio deste ano, a Folha de S.Paulo registrou que diferentes grupos políticos recorreram à Justiça Eleitoral para solicitar a remoção ou suspensão de conteúdos e perfis nas redes sociais. Segundo o levantamento, decisões judiciais atingiram contas ligadas tanto à direita quanto à esquerda, especialmente em casos envolvendo propaganda eleitoral irregular, anonimato e conteúdos manipulados por inteligência artificial.

Antecedentes envolvendo Medina

O vereador já esteve anteriormente no centro de disputas relacionadas às suas manifestações públicas. Em maio de 2025, vereadores do Recife protocolaram processo administrativo contra Medina e Gilson Machado Filho (PL) após a publicação de um vídeo com declarações consideradas ofensivas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A representação foi assinada por parlamentares de PCdoB, PSOL, PT e PSB e apontava possível quebra de decoro parlamentar. O caso poderia resultar em advertência ou suspensão do mandato, conforme as regras internas da Câmara do Recife. Medina contestou a acusação e afirmou que suas declarações estavam protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.

Liberdade de expressão e disputa eleitoral

A eventual retirada de conteúdo ou suspensão de perfis durante uma eleição depende de decisão das autoridades competentes e da aplicação das regras eleitorais às circunstâncias específicas de cada publicação. A existência de uma representação ou pedido de remoção, por si só, não significa que o conteúdo tenha sido considerado ilegal ou que uma suspensão definitiva tenha sido determinada.

O caso envolvendo Humberto Costa e Thiago Medina se insere, portanto, em uma disputa política mais ampla sobre os limites da propaganda eleitoral e da liberdade de expressão nas redes sociais. A Justiça Eleitoral vem analisando casos envolvendo conteúdos considerados potencialmente ofensivos, propaganda irregular, anonimato e material manipulado digitalmente.

Até a publicação desta matéria, não foi localizada decisão pública que confirme a suspensão definitiva das contas de Thiago Medina. O vereador, por sua vez, mantém a acusação de que Humberto Costa busca retirar seu perfil do ar e já divulgou uma conta alternativa para seus seguidores.


Fontes: Câmara Municipal do Recife; Folha de S.Paulo; Jamildo.com; publicações públicas de Thiago Medina nas redes sociais.