China desafia Trump após ameaça dos EUA por apoio ao Irã
Pequim afirmou que adotará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses após novas sanções americanas contra empresas ligadas a negociações com o Irã
25/08/2026 15:58
| Atualizado há 2 Semanas atrás
Por Prime Rádio - A China elevou o tom contra os Estados Unidos nesta terça-feira (25), após o governo do presidente Donald Trump ampliar a pressão econômica sobre o Irã e atingir empresas e entidades chinesas relacionadas a negócios com Teerã. Pequim classificou as medidas americanas como sanções unilaterais e afirmou que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus direitos e interesses.

A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian. Segundo o governo chinês, a cooperação econômica entre China e Irã ocorre dentro das normas do direito internacional e não deveria sofrer interferência externa.
A reação ocorre um dia depois de o governo Trump anunciar uma nova rodada de sanções contra cerca de 60 pessoas, empresas e embarcações relacionadas às atividades econômicas do Irã. A ofensiva faz parte da estratégia americana denominada “Operation Economic Outcast”, destinada a restringir as fontes de receita de Teerã e dificultar suas conexões com o sistema financeiro internacional.
Entre os alvos estão empresas de Hong Kong e da China continental acusadas de participar de operações relacionadas à obtenção de tecnologia, movimentação financeira e transporte de petróleo iraniano. As autoridades americanas também indicaram que empresas que continuarem fazendo negócios com setores atingidos pelas sanções poderão enfrentar restrições ao acesso ao sistema financeiro baseado no dólar.
Apesar da abrangência da nova ofensiva, Washington não incluiu, até o momento, grandes instituições financeiras chinesas entre os principais alvos. A decisão é considerada relevante porque uma punição direta a grandes bancos chineses poderia provocar uma escalada significativa nas relações entre as duas maiores economias do mundo.
China é peça central na economia do Irã
A posição de Pequim tem importância econômica porque a China é o principal comprador do petróleo iraniano. Segundo a Reuters, o comércio de petróleo entre os dois países já vinha sendo afetado pelo bloqueio americano e pelas dificuldades de transporte na região, mas Pequim continua sendo um mercado fundamental para o petróleo produzido pelo Irã.
Dados citados pela Reuters indicam que as ofertas de petróleo iraniano para compradores chineses diminuíram nas últimas semanas, enquanto os preços subiram. A redução está relacionada à interrupção dos embarques pelo Estreito de Ormuz e ao aumento da pressão americana sobre empresas envolvidas no comércio com Teerã.
A dependência comercial também cria um dilema para Washington. Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos buscam reduzir drasticamente as receitas iranianas, medidas muito severas contra instituições chinesas poderiam abrir uma nova frente de conflito econômico com Pequim.
Pequim rejeita sanções unilaterais
O governo chinês sustenta que os Estados Unidos não têm autoridade para impor unilateralmente restrições a empresas de outros países que mantenham relações comerciais com o Irã.
Lin Jian afirmou que Pequim se opõe firmemente às chamadas “sanções unilaterais ilegais” e que a China acompanhará os desdobramentos para proteger seus interesses. A declaração, porém, não especificou quais medidas poderiam ser adotadas caso Washington amplie a lista de empresas chinesas atingidas.
A sinalização ocorre em um momento delicado das relações entre Washington e Pequim. Além das divergências envolvendo o Irã, Estados Unidos e China mantêm disputas comerciais e estratégicas em diferentes áreas.
A possibilidade de novas sanções contra empresas chinesas também pode aumentar a tensão antes de uma esperada reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Segundo reportagens internacionais, Pequim já indicou que poderá reagir caso as medidas americanas atinjam de maneira mais ampla empresas e interesses chineses.
Pressão sobre o Irã aumenta
A ofensiva econômica americana ocorre após meses de conflito e de forte pressão sobre a economia iraniana. Washington pretende utilizar sanções para reduzir as receitas de Teerã e restringir setores considerados estratégicos.
O governo Trump também advertiu países que continuem mantendo relações comerciais com o Irã de que poderão enfrentar consequências econômicas. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que empresas e instituições que financiem atividades iranianas podem ficar sujeitas a medidas que limitem seu acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.
A estratégia, contudo, enfrenta dificuldades justamente por causa da importância da China para o comércio iraniano. Pequim tem mecanismos próprios para lidar com sanções estrangeiras e mantém relações comerciais com Teerã, enquanto Washington precisa avaliar os riscos de ampliar a pressão sobre empresas chinesas sem provocar uma deterioração ainda maior de sua relação com o governo chinês.
Por enquanto, a resposta de Pequim permanece principalmente diplomática. A China não anunciou novas sanções ou medidas de retaliação específicas, mas deixou claro que considera a proteção de seus interesses uma prioridade caso a campanha americana contra os parceiros comerciais do Irã seja ampliada.

Fontes: Reuters, The Guardian, Ministério das Relações Exteriores da China.
