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Tarcísio afirma que Polícia Civil cumprirá decisão do STF e compartilhará provas do caso Dark Horse com a PF

Governador de São Paulo classificou como “desrespeito” as acusações de que a Polícia Civil estaria retardando as investigações; PF apura possível uso de emendas parlamentares no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro

Tarcísio afirma que Polícia Civil cumprirá decisão do STF e compartilhará provas do caso Dark Horse com a PF
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante sabatina dos jornais O GLOBO e Valor e da rádio CBN — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Por Prime Rádio - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (25) que a Polícia Civil paulista cumprirá a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar provas obtidas em uma investigação envolvendo a produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).



A declaração foi dada durante um evento sobre violência de gênero realizado em Santana, na zona norte da capital paulista. Questionado sobre críticas de adversários à condução da investigação estadual, Tarcísio defendeu a atuação da Polícia Civil e rejeitou a hipótese de que a corporação estaria deliberadamente retardando o caso.

“Isso é um desrespeito com a Polícia de São Paulo. É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo”, afirmou o governador. Segundo ele, as investigações seguem os procedimentos previstos na legislação e as determinações judiciais serão cumpridas.

Decisão de Flávio Dino

Na segunda-feira (24), Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a ter acesso aos dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo durante uma operação realizada em junho contra empresas e entidades relacionadas à produção de “Dark Horse”.

A decisão atendeu a um pedido da própria PF, que pretende utilizar o material apreendido na investigação federal sobre a possível destinação irregular de emendas parlamentares para o financiamento do filme.

Segundo a Agência Brasil, a apuração no STF envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora Go Up Entertainment. Um dos repasses investigados corresponde a R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao instituto.

A autorização de Dino permite o compartilhamento de elementos obtidos pela Polícia Civil, enquanto as duas investigações continuam com objetos distintos.
Investigação da Polícia Civil

Em São Paulo, a Polícia Civil investiga suspeitas de irregularidades relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para a oferta de internet sem fio em comunidades da capital.

A investigação busca esclarecer se houve irregularidades na contratação, na execução do serviço e eventual desvio de recursos públicos. A operação realizada em 1º de junho teve como alvos endereços ligados ao instituto, à produtora Go Up Entertainment e a outros envolvidos no contrato.

A empresária Karina Ferreira da Gama, ligada ao Instituto Conhecer Brasil e à Go Up Entertainment, está no centro das apurações. A Polícia Civil também investiga a possibilidade de recursos relacionados ao contrato público terem sido direcionados para atividades vinculadas à produção do filme.

Até o momento, as suspeitas são objeto de investigação e não representam conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

PF apura possível uso de emendas

A investigação federal possui outro foco: verificar se recursos provenientes de emendas parlamentares foram utilizados, direta ou indiretamente, para financiar “Dark Horse”.

A relação com o filme ganhou atenção após a divulgação de informações sobre o financiamento da produção. De acordo com a Agência Brasil, o caso chegou ao STF após representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e passou a envolver a apuração sobre a destinação de recursos ao Instituto Conhecer Brasil.

A PF também investiga, em procedimento separado, os cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, e busca esclarecer a origem e a finalidade dos recursos e se houve eventual irregularidade nos pagamentos.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao financiamento e afirma que os recursos utilizados na produção eram privados.
Tarcísio rejeita interferência política

Ao comentar as críticas à Polícia Civil, Tarcísio afirmou que as instituições de segurança do estado devem ser tratadas como órgãos de Estado, e não como instrumentos do governo.

O governador também declarou que os investigadores responsáveis pelo caso seguem o rito previsto em lei e que eventuais determinações judiciais serão atendidas.

A decisão de Flávio Dino estabelece, portanto, uma nova etapa de cooperação entre as investigações estadual e federal. O compartilhamento das provas permitirá que a PF analise documentos e outros materiais apreendidos pela Polícia Civil que possam ter relação com a apuração sobre emendas parlamentares.

As investigações permanecem em andamento e, até o momento, não há conclusão definitiva de que recursos públicos tenham sido utilizados para financiar o filme.


Fontes: Agência Brasil / Folha de S.Paulo / CNN Brasil