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Empresa sul-coreana usa tecido humano para combater “rosto de Ozempic” em tratamento estético

Nova técnica desenvolvida na Coreia do Sul busca recuperar firmeza e qualidade da pele após perda rápida de peso, mas especialistas levantam questões sobre segurança e ética.

Empresa sul-coreana usa tecido humano para combater “rosto de Ozempic” em tratamento estético
Correção com procedimento — Foto: Magnific

Por Prime Rádio - Uma empresa sul-coreana está desenvolvendo um tratamento estético baseado em componentes derivados de tecido humano para tentar reduzir os efeitos conhecidos popularmente como “rosto de Ozempic”, expressão usada para descrever a perda de volume facial e a flacidez que podem aparecer após emagrecimento acelerado. A tecnologia faz parte da crescente indústria de procedimentos cosméticos da Coreia do Sul, país conhecido por transformar tratamentos de nicho em tendências internacionais de beleza.




O chamado “rosto de Ozempic” ganhou popularidade após o aumento do uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e também associados à perda de peso. Especialistas explicam, porém, que a alteração facial não ocorre necessariamente por uma ação direta do medicamento, mas principalmente pela redução rápida de gordura corporal, que pode afetar regiões como bochechas e áreas ao redor dos olhos.


A proposta da empresa sul-coreana envolve o uso de materiais biológicos processados para estimular a regeneração da pele. Entre os produtos que ganharam atenção no mercado asiático estão os chamados bioestimuladores de matriz extracelular (ECM), que utilizam estruturas derivadas de tecido humano tratado para servir como suporte à regeneração dos tecidos.


Diferentemente de preenchimentos tradicionais, que adicionam volume por meio de substâncias como ácido hialurônico, os tratamentos baseados em ECM têm como objetivo melhorar características da pele, como textura, elasticidade e aparência geral, utilizando uma estrutura rica em componentes como colágeno e outras proteínas presentes no tecido humano processado.


A Coreia do Sul se tornou um dos principais centros mundiais de inovação em estética, com procedimentos que frequentemente ganham popularidade internacional por meio das redes sociais e do chamado mercado de beleza coreana, conhecido como K-beauty. Clínicas e empresas do país têm lançado tecnologias voltadas para rejuvenescimento, regeneração da pele e tratamentos minimamente invasivos.


Apesar do interesse crescente, especialistas alertam que esses procedimentos ainda levantam discussões relacionadas à segurança, regulamentação e questões éticas envolvendo o uso de tecidos humanos para fins exclusivamente cosméticos. Pesquisadores e autoridades avaliam fatores como controle de qualidade, rastreabilidade dos materiais utilizados e possíveis efeitos de longo prazo.


Outro ponto destacado por médicos é que a perda de volume facial após emagrecimento não ocorre apenas com usuários de medicamentos como Ozempic. Pessoas que passam por grandes reduções de peso por dieta, cirurgia bariátrica ou outros métodos também podem apresentar mudanças semelhantes na aparência facial.


O avanço dessas tecnologias mostra uma mudança no mercado de estética, que passou a buscar não apenas preenchimento ou alteração de características faciais, mas também técnicas voltadas à regeneração e melhora da qualidade da pele. No entanto, especialistas reforçam que novos tratamentos precisam de avaliação médica individualizada e acompanhamento adequado antes de serem adotados em larga escala.


Até o momento, a tecnologia permanece como uma tendência no setor de estética sul-coreano, enquanto pesquisadores continuam avaliando seus benefícios, limitações e possíveis riscos associados ao uso de materiais derivados de tecidos humanos.


Fontes utilizadas: Korea JoongAng Daily / Journal of Cosmetic and Regenerative Medicine / Seoul Economic Daily