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Guerra prolongada no Irã pode desencadear nova crise de dívida na América Latina, alerta Niall Ferguson

Historiador avalia que um conflito duradouro teria impactos sobre mercados, inflação e endividamento global, mas destaca que a distância geográfica da região em relação às zonas de guerra pode representar uma oportunidade estratégica.

Guerra prolongada no Irã pode desencadear nova crise de dívida na América Latina, alerta Niall Ferguson
O historiador Niall Ferguson (à direita) em painel na Expert XP — Foto: Leo Orestes/G.Lab Este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/07/23/se-guerra-no-ira-se-prolongar-america-latina-pode-viver-nova-crise-de-divida-diz-niall-ferguson.ghtml ou as ferramentas oferecida

Por Prime Rádio - A continuidade de um eventual conflito prolongado no Irã pode provocar efeitos significativos sobre a economia mundial e aumentar o risco de uma nova crise de dívida na América Latina. O alerta foi feito pelo historiador e analista econômico Niall Ferguson, que avalia que uma escalada militar no Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia, elevar os custos de financiamento e ampliar a volatilidade dos mercados internacionais.



Segundo Ferguson, uma guerra de longa duração teria potencial para afetar diretamente países emergentes, especialmente aqueles com elevado endividamento externo ou maior dependência de financiamento internacional. Em cenários de maior aversão ao risco, investidores costumam migrar recursos para ativos considerados mais seguros, reduzindo o fluxo de capitais para economias em desenvolvimento e encarecendo o acesso ao crédito.

Outro fator de preocupação é a possível alta dos preços do petróleo e de outras commodities energéticas. Caso ocorram interrupções relevantes na oferta da região do Golfo Pérsico ou dificuldades no transporte marítimo, o aumento dos custos de energia poderá pressionar a inflação global. Esse cenário tende a dificultar o trabalho dos bancos centrais e pode levar à manutenção de juros elevados por mais tempo, ampliando o peso da dívida pública e privada em diversos países latino-americanos.

Ferguson também chama atenção para os reflexos geopolíticos do conflito. Em sua avaliação, uma guerra prolongada no Oriente Médio pode intensificar as disputas estratégicas entre Estados Unidos e China, aumentando o risco de novas tensões em torno de Taiwan. A combinação de diferentes focos de instabilidade poderia gerar impactos adicionais sobre cadeias globais de suprimentos, comércio internacional e confiança dos mercados financeiros.

Apesar dos riscos, o historiador considera que a América Latina possui uma vantagem relativa por estar distante das principais zonas de conflito. Essa posição geográfica pode favorecer a região na atração de investimentos, na ampliação de relações comerciais e no fortalecimento de cadeias produtivas alternativas, desde que os países mantenham estabilidade macroeconômica e adotem políticas capazes de preservar a confiança dos investidores.

Especialistas observam que episódios de instabilidade internacional costumam afetar economias emergentes por meio da volatilidade cambial, do aumento dos custos de financiamento e da desaceleração do comércio global. Embora não seja possível afirmar que uma nova crise de dívida ocorrerá, Ferguson ressalta que um conflito prolongado aumentaria a probabilidade de pressões financeiras sobre países mais vulneráveis.



Fontes: Reuters / Bloomberg Línea