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Vídeo: Homem morre enquanto é imobilizado por policiais na Itália; ação gerou indignação e protestos

Momento de brutalidade foi gravado por vizinhos em Bolonha e compartilhado nas redes sociais

Vídeo: Homem morre enquanto é imobilizado por policiais na Itália; ação gerou indignação e protestos
O marroquino Abderrahim Fakir morreu enquanto era imobilizado por policiais na Itália — Foto: Reprodução / Redes Sociais

A morte de um marroquino que estava sendo algemado pela polícia em Bolonha, na Itália, gerou revolta e levou a protestos no país nesta segunda-feira (20). O homem, identificado como Abderrahim Fakir, de 42 anos, aparece em imagens gravadas por testemunhas deitado de bruços no chão enquanto é imobilizado por agentes por cerca de cinco minutos. Nesse tempo é possível ouvi-lo gritar por socorro e seus pedidos para que parem de o segurar.



O caso aconteceu às 12h do último domingo (19), em frente a um estacionamento em Pilastro, um bairro operário e multiétnico da cidade de Bolonha. A polícia foi chamada porque Abderrahim estaria agindo de forma inconstante e imprevisível. Até o momento não se sabe os motivos que o levaram a agir desta maneira em público. Segundo relatos, ele começou a gritar e entrou num estado de extrema agitação, inclusive batendo em um carro.

Dois policiais foram os primeiros a chegarem ao local e solicitaram uma ambulância. Em seguida, começaram a lutar para contê-lo. Um dos agentes usou spray de pimenta para imobilizá-lo. O policial usava uma câmera corporal no uniforme, e o equipamento teve a gravação recolhida para análise nas investigações do caso. Em seguida, eles o imobilizaram jogando-o no chão, colocando suas mãos para trás e subindo em cima de Abderrahim para algemá-lo.

Em imagens gravadas por vizinhos que testemunharam o caso, o detido pode ser visto gritando repetidamente por socorro enquanto os policiais pressionavam seu corpo, a ponto de encostarem seu rosto no asfalto. O vídeo também mostra um civil e paramédicos, vestidos de vermelho, presentes no local, mas sem intervir.



Pouco depois o homem fica imóvel. Os policiais seguem na ação, sem o soltar e, ao contrário, ainda algemam os pés de Abderrahim. Só depois, um dos agentes, percebendo a inércia do homem, tenta interagir, movendo seu rosto, sem obter resposta. Algumas pessoas que presenciaram o momento questionam se ele está respirando.

Os policiais se levantam, e só então viram o corpo algemado. Abderrahim se mantém imóvel. Um médico intervém, faz a verificação de pulso e constata a morte.

O marroquino vivia legalmente na Itália desde a infância. Abderrahim sofria de crises de asma e era dono de uma pequena empresa de transportes, segundo a imprensa local. O caso de truculência causou indignação imediata na cidade de Bolonha e comoção em toda a Itália.

Para além das distâncias e diferenças, o episódio recordou o caso de George Floyd, ocorrido em maio de 2020 em Minnesota, nos Estados Unidos, que deu origem ao movimento de protesto "Black Lives Matter".

— Eu quero justiça, eu quero vingança, ele não pode morrer assim — disse, chorando, Khadija Fakira, irmã de Abderrahim. — Se alguém está agitado, você tem que acalmá-lo, não o matar em plena luz do dia. Eles o mataram — declarou.

Amigos o descreveram como uma pessoa “de bom coração” e trabalhadora, que havia chegado à Itália com sua família aos sete anos de idade e ainda estava em processo de obtenção da cidadania italiana.

A Procuradoria de Bolonha determinou que seja realizada uma autópsia para comprovar a causa da morte e abriu uma investigação sobre as circunstâncias do caso, um procedimento padrão no país sempre que alguém morre durante uma operação policial, destacou a CBS News. Os dois policiais envolvidos continuarão trabalhando durante a investigação, destacou o veículo.

Nesta segunda-feira, pessoas se reuniram próximo ao local onde Abderrahim morreu enquanto era imobilizado pelos policiais que tentavam prendê-lo.

O caso colocou figuras políticas da Itália de lados opostos. Annalisa Corrado, do Partido Democrático, da oposição, disse em um comunicado: "Não podemos ficar em silêncio diante de uma morte desta magnitude, que ocorreu enquanto um homem em situação de vulnerabilidade estava sob custódia da polícia. Exigimos total clareza sobre o assunto: que as investigações em curso determinem o que realmente aconteceu, que todas as responsabilidades sejam apuradas e que se invista seriamente no treinamento da polícia para lidar com manobras de contenção".

Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder do partido de direita Liga (Lega), saiu em defesa da polícia: "Conto com o judiciário para esclarecer a situação o mais rápido possível, para evitar difamações por parte de pessoas que não entendem o que aconteceu e não têm respeito por aqueles que arriscam suas vidas para proteger as nossas".