Governo Lula avalia que tarifaço dos EUA pode aproximar parceiros comerciais da China
Após confirmação de nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, governo brasileiro afirma que medida pode acelerar a diversificação das relações comerciais e reforçar a influência chinesa.
16/07/2026 14:48
Por Prime Rádio - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras pode produzir um efeito contrário ao pretendido por Washington: estimular países afetados pelas medidas comerciais a ampliar suas relações econômicas com a China.

A avaliação ocorre após o governo do presidente Donald Trump confirmar a aplicação da tarifa, prevista para entrar em vigor nos próximos dias. Segundo autoridades norte-americanas, a medida faz parte de uma estratégia baseada em investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos. A nova alíquota incidirá sobre milhares de produtos brasileiros, embora alguns itens estratégicos, como café, carne bovina e componentes do setor aeronáutico, tenham sido excluídos da cobrança.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro entendem que o aumento das barreiras comerciais tende a incentivar países exportadores a buscar novos mercados e fortalecer acordos com outras economias, especialmente a China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil.
Em resposta ao anúncio, o governo brasileiro classificou a medida como injustificável e informou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Organização Mundial do Comércio (OMC), além de estudar a aplicação da chamada Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza a adoção de medidas em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países.
As autoridades norte-americanas afirmam que as tarifas são resultado de uma investigação conduzida ao longo do último ano sobre políticas comerciais brasileiras. Já o governo brasileiro sustenta que as alegações não refletem a realidade da relação econômica entre os dois países e destaca que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na balança bilateral.
Especialistas apontam que o aumento das tensões comerciais pode provocar impactos sobre exportadores brasileiros dos setores atingidos pelas tarifas, ao mesmo tempo em que reforça o movimento de diversificação de mercados por parte do Brasil e de outros parceiros comerciais.

Fontes consultadas: Reuters / Associated Press (AP)
