Caso Henry Borel termina com condenação de Jairinho e perdão judicial a Monique; desfecho reacende debate sobre responsabilidade e Justiça
Após mais de dez dias de julgamento, júri condenou Jairinho a quase 44 anos de prisão e decisão envolvendo Monique provocou forte repercussão pública
04/06/2026 11:46
Prime News
O julgamento do caso Henry Borel chegou ao fim na madrugada desta quinta-feira (4), encerrando um dos processos criminais mais acompanhados do país nos últimos anos. Depois de mais de dez dias de sessões no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021. Já Monique Medeiros, mãe da criança, recebeu perdão judicial após a acusação contra ela ser desclassificada pelo júri.

O desfecho provocou intensa repercussão e reações emocionais nas redes sociais e entre pessoas que acompanharam o caso desde o início. Ainda assim, juridicamente, a decisão seguiu o entendimento adotado pelos jurados e pela magistrada responsável pela sentença.
Um julgamento que mobilizou o país
Henry Borel tinha 4 anos quando morreu, em 8 de março de 2021, no Rio de Janeiro. O caso ganhou enorme repercussão após investigações apontarem sinais de agressões e elementos que levaram o Ministério Público a denunciar Jairinho e Monique.
O julgamento começou em maio e entrou para a história recente do Tribunal de Justiça do Rio por sua duração. Ao longo das sessões foram ouvidas dezenas de testemunhas, especialistas e os próprios réus. O processo teve momentos de tensão, adiamentos anteriores e forte cobertura nacional.
A condenação de Jairinho
Ao final da votação, o Conselho de Sentença considerou Jairinho culpado por:
- homicídio duplamente qualificado;
- tortura;
- coação no curso do processo.
A pena definida foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, além da fixação de indenização de R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.
Segundo informações divulgadas após a sentença, a juíza destacou na dosimetria aspectos relacionados à vulnerabilidade da vítima e à gravidade dos fatos reconhecidos pelo júri.
O que aconteceu com Monique
No caso de Monique Medeiros, os jurados não reconheceram a acusação de homicídio doloso. O entendimento foi pela desclassificação para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Com essa mudança, a definição da pena passou para a juíza do caso.
A magistrada fixou pena relacionada à omissão atribuída à mãe da criança, mas concedeu perdão judicial, extinguindo os efeitos da punição. Entre os fundamentos citados publicamente na decisão estão o tempo já transcorrido desde o início do caso e circunstâncias consideradas pelo juízo ao aplicar a medida.A decisão gerou questionamentos públicos e manifestações de inconformismo de parte da sociedade. Ao mesmo tempo, especialistas lembram que o perdão judicial é um instituto previsto na legislação brasileira e não equivale a uma absolvição automática do ponto de vista processual. Recursos ainda podem ser apresentados pelas partes.
O que acontece agora
Após a leitura da sentença, foi informado que a defesa de Jairinho pretende recorrer da condenação. O Ministério Público também indicou que poderá contestar pontos da decisão envolvendo Monique.
Cinco anos após a morte de Henry Borel, o encerramento do julgamento não encerra necessariamente o debate público sobre proteção infantil, responsabilidade de adultos e os limites da atuação do sistema de Justiça em casos de grande repercussão.

Fontes utilizadas: Agência Brasil / O Dia / UOL/BOL
