Governo brasileiro manifesta 'indignação' após conclusão de investigação dos EUA e cita ameaça ao PIX
Brasília acusa família Bolsonaro de incentivar retaliações comerciais que podem afetar economia; Brasil destaca superávit bilionário dos americanos e redução histórica no desmatamento para rebater acusações.
02/06/2026 13:37
| Atualizado há 3 dias atrás
O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), "profunda indignação" diante da conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O processo, conhecido como "Seção 301", apura supostas práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos e pode resultar na aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo nota oficial à qual o blog teve acesso, a investigação teria sido motivada por ações atribuídas à família Bolsonaro. O Itamaraty considera a iniciativa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.
No comunicado, o governo também criticou a atuação de pessoas que, segundo sua avaliação, estariam utilizando cargos públicos para agir contra os interesses nacionais.
PIX e balança comercial
Um dos principais pontos de divergência entre os dois países é a menção explícita ao PIX nas recomendações preliminares apresentadas pelos Estados Unidos.
O governo brasileiro afirma que o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública, gratuita e neutra, administrada pelo Banco Central. Além disso, destaca que empresas norte-americanas já participam ativamente do ecossistema do PIX.
Para contestar as alegações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou dados que apontam vantagens para os Estados Unidos na relação bilateral.
Entre 2011 e 2025, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões nas trocas de bens e serviços com o Brasil. Apenas em 2025, o saldo positivo para os norte-americanos foi de US$ 40,52 bilhões.
O governo brasileiro também destacou que 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entram no país sem cobrança de tarifas, enquanto a alíquota média efetiva aplicada é de 3,1%.
Meio ambiente, patentes e setor sucroenergético
Em relação às questões ambientais, o Brasil argumenta que o desmatamento na Amazônia Legal caiu cerca de 50% em comparação com 2022. O governo também informou que a área queimada no país recuou 40% em 2025.
No campo da propriedade intelectual, o Executivo afirma que os Estados Unidos são os maiores beneficiários do sistema brasileiro de patentes, respondendo por aproximadamente 30% dos registros solicitados. Além disso, os pagamentos de royalties a empresas norte-americanas teriam dobrado entre 2020 e 2024, alcançando US$ 1,38 bilhão.
Outro ponto destacado pelo governo envolve o comércio de etanol e açúcar. Segundo o Brasil, o mercado nacional permanece aberto ao etanol norte-americano, enquanto o açúcar brasileiro enfrenta tarifas que podem chegar a 80% nos Estados Unidos.
Exportações em queda e possibilidade de retaliação
O cenário de incerteza já apresenta reflexos no comércio exterior. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual da série histórica.
Apesar das divergências, os dois países mantêm negociações diplomáticas. Em 7 de maio, os presidentes Lula e Trump se reuniram e estabeleceram o prazo de 15 de julho para a conclusão das tratativas tarifárias, na tentativa de encerrar a investigação sem a imposição de sanções.
Caso as tarifas sejam efetivamente adotadas, o governo brasileiro informou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica.
A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o país a adotar medidas de resposta diante de práticas comerciais consideradas incompatíveis com as regras internacionais.

Fonte: G1 e TV Globo
