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Governo brasileiro manifesta 'indignação' após conclusão de investigação dos EUA e cita ameaça ao PIX

Brasília acusa família Bolsonaro de incentivar retaliações comerciais que podem afetar economia; Brasil destaca superávit bilionário dos americanos e redução histórica no desmatamento para rebater acusações.

Governo brasileiro manifesta 'indignação' após conclusão de investigação dos EUA e cita ameaça ao PIX
Governo brasileiro manifesta 'indignação' após conclusão de investigação dos EUA e cita ameaça ao PIX (Foto: Reprodução)

O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), "profunda indignação" diante da conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).



O processo, conhecido como "Seção 301", apura supostas práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos e pode resultar na aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo nota oficial à qual o blog teve acesso, a investigação teria sido motivada por ações atribuídas à família Bolsonaro. O Itamaraty considera a iniciativa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.

No comunicado, o governo também criticou a atuação de pessoas que, segundo sua avaliação, estariam utilizando cargos públicos para agir contra os interesses nacionais.

PIX e balança comercial

Um dos principais pontos de divergência entre os dois países é a menção explícita ao PIX nas recomendações preliminares apresentadas pelos Estados Unidos.

O governo brasileiro afirma que o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública, gratuita e neutra, administrada pelo Banco Central. Além disso, destaca que empresas norte-americanas já participam ativamente do ecossistema do PIX.

Para contestar as alegações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou dados que apontam vantagens para os Estados Unidos na relação bilateral.

Entre 2011 e 2025, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões nas trocas de bens e serviços com o Brasil. Apenas em 2025, o saldo positivo para os norte-americanos foi de US$ 40,52 bilhões.

O governo brasileiro também destacou que 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entram no país sem cobrança de tarifas, enquanto a alíquota média efetiva aplicada é de 3,1%.

Meio ambiente, patentes e setor sucroenergético

Em relação às questões ambientais, o Brasil argumenta que o desmatamento na Amazônia Legal caiu cerca de 50% em comparação com 2022. O governo também informou que a área queimada no país recuou 40% em 2025.

No campo da propriedade intelectual, o Executivo afirma que os Estados Unidos são os maiores beneficiários do sistema brasileiro de patentes, respondendo por aproximadamente 30% dos registros solicitados. Além disso, os pagamentos de royalties a empresas norte-americanas teriam dobrado entre 2020 e 2024, alcançando US$ 1,38 bilhão.

Outro ponto destacado pelo governo envolve o comércio de etanol e açúcar. Segundo o Brasil, o mercado nacional permanece aberto ao etanol norte-americano, enquanto o açúcar brasileiro enfrenta tarifas que podem chegar a 80% nos Estados Unidos.

Exportações em queda e possibilidade de retaliação

O cenário de incerteza já apresenta reflexos no comércio exterior. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual da série histórica.

Apesar das divergências, os dois países mantêm negociações diplomáticas. Em 7 de maio, os presidentes Lula e Trump se reuniram e estabeleceram o prazo de 15 de julho para a conclusão das tratativas tarifárias, na tentativa de encerrar a investigação sem a imposição de sanções.

Caso as tarifas sejam efetivamente adotadas, o governo brasileiro informou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica.

A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o país a adotar medidas de resposta diante de práticas comerciais consideradas incompatíveis com as regras internacionais.


Fonte: G1 e TV Globo