Ebola avança na África e preocupa autoridades
Especialistas e OMS descartam risco de pandemia
25/05/2026 00:18
O avanço do surto de Ebola na África Central reacendeu o alerta das autoridades sanitárias internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma emergência de saúde pública de importância internacional após o crescimento acelerado de casos na República Democrática do Congo (RDC) e a confirmação de novas infecções no Uganda. Apesar da expansão da doença para além das fronteiras do epicentro inicial, a própria OMS esclareceu que a situação "não cumpre os critérios de emergência pandêmica" — avaliação que especialistas reforçam.

O surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual não existe vacina nem tratamento aprovado, o que representa um agravante significativo frente a surtos anteriores em que imunizantes já estavam disponíveis.
Números mais graves do que o esperado
Segundo dados divulgados pela OMS, já foram registrados cerca de 600 casos suspeitos e aproximadamente 139 mortes potencialmente associadas à doença. Desse total, 51 casos foram confirmados laboratorialmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, na RDC. A taxa de letalidade da cepa Bundibugyo é estimada pelas autoridades entre 25% e 50%.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, demonstrou preocupação com a velocidade de propagação do vírus e com a possibilidade de novos casos em áreas urbanas mais populosas. Entre as vítimas estão pelo menos quatro profissionais de saúde, o que levanta alertas sobre transmissão dentro de unidades de atendimento médico.
Expansão geográfica preocupa
O surto, inicialmente identificado na província de Ituri, no nordeste da RDC, já se propagou para o Kivu do Norte, com casos confirmados em cidades como Butembo e Goma. Além disso, dois casos importados foram confirmados em Kampala, capital do Uganda — ambos em pessoas vindas da RDC e sem ligação aparente entre si, sendo que um deles resultou em morte. Em Kinshasa, capital congolesa, foi confirmado ainda um caso de uma pessoa regressada de Ituri.
Por que o risco de pandemia é baixo
A infectologista Mirian Dal Ben explicou, em entrevista à imprensa brasileira, que o Ebola é uma doença grave, conhecida pela alta taxa de mortalidade e pelos sintomas hemorrágicos em casos severos. Entretanto, ela destacou que o vírus possui características muito diferentes das da Covid-19, o que reduz significativamente seu potencial pandêmico.
"O Ebola não é transmitido pelo ar. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, fluidos corporais e secreções de pessoas infectadas", explicou a especialista. Isso torna a disseminação mais limitada quando comparada a vírus respiratórios altamente contagiosos.
Especialistas também apontam que a alta letalidade do Ebola acaba reduzindo sua capacidade de propagação em larga escala, já que pacientes gravemente infectados tendem a ser rapidamente isolados ou ficam incapacitados de circular livremente. Além disso, os protocolos internacionais de rastreamento, isolamento e monitoramento são considerados mais eficientes hoje do que em surtos anteriores.
Fatores de risco para o controle do surto
Mesmo com o risco global considerado baixo, autoridades internacionais reforçam que a situação exige vigilância constante. A OMS e organizações humanitárias alertam que fatores como conflitos armados, deslocamentos populacionais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e cortes no financiamento internacional podem dificultar o controle do surto nas regiões afetadas. A agência está em discussão sobre qual potencial vacina deve ser priorizada para uso emergencial, processo que pode levar meses até chegar à população.Brasil fora de risco imediato
No Brasil, o Ministério da Saúde informou que não há casos confirmados da doença no país nem nas Américas. Ainda assim, o governo ativou protocolos de vigilância epidemiológica e monitoramento de viajantes vindos das regiões afetadas.
Fontes: OMS, ONU News, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Público (Portugal), UNRICCompartilhar
