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Negociações entre EUA e Irã seguem sem conclusão; acordo ainda não está fechado, diz Casa Branca

Declarações do presidente americano oscilaram ao longo do fim de semana, entre otimismo e ameaças; entendimento preliminar sobre Estreito de Ormuz teria sido alcançado, segundo imprensa americana

Negociações entre EUA e Irã seguem sem conclusão; acordo ainda não está fechado, diz Casa Branca
Negociações entre EUA e Irã seguem sem conclusão; acordo ainda não está fechado, diz Casa Branca (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que o acordo em negociação com o Irã ainda não foi concluído e que ninguém teve acesso ao texto até o momento. A declaração foi feita por meio de publicação na rede social Truth Social e representa uma mudança em relação ao tom adotado no dia anterior, quando Trump chegou a indicar que um desfecho estava próximo.


"Ele nem mesmo está totalmente negociado ainda", escreveu o presidente, acrescentando que as negociações seguem "de forma ordenada e construtiva" e que os representantes americanos foram orientados a não demonstrar pressa para fechar um acordo. Segundo Trump, o fator tempo favorece a posição dos Estados Unidos.




Oscilações ao longo do fim de semana
As declarações de Trump sobre o tema variaram de forma significativa entre sábado e domingo. No dia 23, o presidente sinalizou otimismo e indicou que um entendimento poderia ser alcançado ainda naquele dia. Horas depois, adotou tom mais duro, afirmando que tomaria medidas militares contra o Irã caso as negociações não chegassem a um resultado satisfatório dentro do prazo que ele mesmo havia estipulado.

No domingo, o presidente recuou da urgência anterior, descartando qualquer prazo imediato e reafirmando que o processo ainda está em curso.

O estado das negociações

As conversações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro deste ano, se estendem há semanas sem resolução. Uma proposta apresentada pelo lado iraniano na semana passada foi rejeitada pelos Estados Unidos, que a consideraram insuficiente.

O principal ponto de divergência continua sendo o programa nuclear iraniano. Washington exige seu encerramento definitivo; Teerã rejeita essa condição.

Neste domingo, o jornal americano "New York Times" noticiou que os dois países teriam chegado a um entendimento preliminar: o Irã reabriria o Estreito de Ormuz em troca da entrega de seu arsenal nuclear. A informação foi atribuída a uma fonte oficial americana próxima das tratativas, sem confirmação oficial de nenhum dos lados.

O contexto do conflito e o papel do Estreito de Ormuz

Desde abril, os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos. A medida foi adotada após o Irã reduzir drasticamente o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz em resposta a ataques conduzidos por forças americanas e israelenses contra território iraniano, iniciados em 28 de fevereiro.

O Estreito de Ormuz é um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo para o comércio de petróleo. Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção global de petróleo passava pela via. Sua paralisação parcial gerou pressão sobre os preços do combustível nos mercados internacionais.

Referência ao acordo de 2015

Na mesma publicação, Trump fez referência ao acordo nuclear firmado pelo governo Barack Obama em 2015, apresentando-o de forma crítica. O pacto, conhecido como JCPOA, estabelecia limitações ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções internacionais contra Teerã.

O acordo foi abandonado pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Trump, em 2018. Parte dos críticos do tratado, incluindo o governo israelense, argumentou à época que recursos liberados pelas sanções foram posteriormente destinados ao financiamento de grupos armados na região. Defensores do acordo sustentaram que ele era o mecanismo mais eficaz disponível para conter o avanço nuclear iraniano por via diplomática.

Fonte: G1